Hipocrisia jornalística

Moro em Florianópolis, a capital Catarinense. (Quem conhece a cidade, pode pular este primeiro parágrafo). A cidade fica na sua maior parte numa ilha, separada do continente (na área mais estreita) por uma faixa de 1 km de oceano.

Nos últimos 10 anos, tivemos um crescimento populacional de 60%! Neste mesmo período, o número de pontes construídas para fazer a travessia ilha-continente foi zero. A última ficou pronta em 1991. Também não foi reativada nenhuma ponte antiga (a ponte Hercílio Luz, que só serve de cartão postal, foi desativada em 22 de Janeiro de 1982, antes de eu nascer!). E nenhum outro modo de transporte foi adotado.

As duas pontes existentes, com 4 pistas cada uma e extensão de cerca de 1,5 km, registram o maior tráfego diário de veículos em pontes sobre o mar do Brasil. A cada dia que passa o fluxo torna-se mais e mais intenso e as pontes funcionam como um funil.

Para quem chega nas pontes, do lado do continente, temos pistas que vêm de Coqueiros, do Estreito e da Via Expressa (BR-282). Do lado da ilha, desembocam na ponte pistas da Avenida Beiramar Norte, do Centro da cidade e da Beiramar Sul.

Em um horário de trânsito livre (3 ou 4 horas da manhã), é possível atravessar da ilha para o continente ou no sentido contrário em menos de 15 minutos. Em horários caóticos como 8 horas da manhã (no sentido continente-ilha) ou 6h da tarde (no sentido ilha-continente) o deslocamento pode durar 1 hora ou mais!

As autoridades não têm nenhuma obra em execução para minimizar o problema. Será que elas só trafegam de helicópteros e jatinhos particulares?

E (agora sim, o que me fez escrever esse post) a nossa “querida” RBS (filial da Globo) parece ser totalmente complacente com o problema. Todo dia, eles mostram imagens da ponte e agora também da Beiramar Norte. Só que esses são os trechos em que o funil gerado por todo o sistema viário desanda. Hoje (como todos os dias) o repórter teve a cara de pau de dizer: “este é o trânsito na cabeceira das pontes, o fluxo está bom, com focos de engarrafamento”.

Focos! Focos?!? Por que eles não mostram onde realmente tudo fica parado? Onde a gente realmente pára o carro?

A RBS faz ótimas campanhas como a “Use a Cabeça, Dirija pela Vida” (sobre paz no trânsito), a campanha de duplicação da BR-101 Sul e a “O Amor é a Melhor Herança. Cuida Crianças” (contra a violência infantil). Por que ela parece fechar os olhos para os problemas de tráfego urbano da Capital?

2 Respostas to “Hipocrisia jornalística”

  1. Luz no fim do túnel? « Click Saulo Says:

    […] Click Saulo Clicando por aí… « Hipocrisia jornalística […]

  2. RAMON NOCETI Says:

    O que poderia amenizar é o uso de transporte coletivo, porem, quem quer deixar o seu carro em casa? Fato que temos em florianópolis um dos maiores indices de carro por habitante, e isso aumenta cada vez mais.
    Faça um calculo na sua casa.
    Na minha é 3/4.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: